Burning somewhere at night
Riders on the Storm
Eclipse da Super-lua. 27/09/2015. São Paulo, Brasil.
Céu encoberto em noite de eclipse de Super-Lua.
A terra, cem anos depois dos últimos homens. O essencial para a sustentação da vida humana se tornou abundante onde nenhum homem habita. / The earth, a hundred years after the last men. The essential for sustaining human life has become abundant where no man dwells.
Sob o pretexto de guardar o corpo e a memória dos que viveram, os cemitérios servem a um propósito mais grave: proteger os que ainda vivem da idéia da morte. Diria Georges Bataille. / Under the pretext of keeping the body and the memory of those who lived, cemeteries serve a more serious purpose: to protect the living from the idea of death. Georges Bataille would say.
Pedras podem representar obstáculos, mas também matéria prima de cidade. Pólvora, dinamite, explosão, transmutação. Obstáculos convertidos em matéria de edificar. Pequenos e grandes pedaços de pedra, reconfigurando-se em uma urbanidade orgânica e progressiva. Casas feitas do mesmo elemento sobre o qual repousam. Pela noite, as ruas são fragmentos de estrelas em mosaico e revelam o espírito místico do lugar. Me faz pensar que quando atravessa longas distâncias, a cada parada, este elemento construtivo dilui um pouco sua origem. O comércio de minério traz prosperidade para alguns, para outros um emprego, uma função, o sustento. Expressam-se as crateras, expondo seus vazios e montes de fragmentos de um matiz do ocre ao branco. Entre a rocha e o céu amanhece a cidade. Viajantes encontram espaços centrais destinados ao seu repouso, contemplação e deleite. Chegam loucos de todas as partes, buscando alguma transcendência comum, um ponto de fuga das grandes cidades. Crianças jogam futebol atrás da igreja, homens de chapéu trocam histórias na esquina, numa vendinha de esquina o jogo de futebol na televisão reúne umas poucas pessoas. Uma moça caminha discreta e desaparece em uma viela atrás de algumas casas de pedra. Na natureza, as borboletas sobrevoam pedras que traçam caminhos para as águas que despencam lá e cá, energizando o elemento vivo e transitório. A proximidade de tantas constelações brilhantes atrai muitos que buscam alguma conexão. O ar de mistério é constante e ventila a imaginação. Estavam ali em equilíbrio a contradição e a paixão do mundo, nada além da verdade: o homem modifica a natureza, mas apenas ela ensina sobre a transformação.
Restinga do Itaguaré - um modesto rio de águas vermelhas alcança discretamente o mar. Uma garça procura por pequenos peixes para se alimentar, neste ponto de transição.
O ciclo da água é o movimento constante da vida. Circula na terra, em nós, em todos os seres. Distribui e multiplica a vida.
Paranapiacaba sem Neblina e o Cachorro-cidade
Registro da vista panorâmica do alto da serra do mar para Cubatão. A neblina e as nuvens não possibilitaram a vista do mar, mas a paisagem mesmo assim trouxe brilho aos olhos. Paranapiacaba é o “lugar de onde se vê o mar”, do tupi: paranã (mar), epiak (ver) e aba (lugar)“.
sunrise and the hidden cat
Pôr do Sol em São Thomé das Letras - MG
“E se os pontos luminosos no céu fossem outras pequenas cidades distantes?Nessas pequenas cidades as pessoas também subiriam as montanhas para observar pontos luminosos e indagar se estes pontos também não seriam pequenas cidades onde as pessoas sobem montanhas para fazer as mesmas indagações.” Matheus Martini
“Água, elemento vital. Teu movimento é constante, tuas formas e teus estados são diversos. Água, elemento transitório. Habita tudo que vive e lhes empresta tua essência. Há que se manter o ciclo, há que se manter em circulação, há que percorrer os rios e veias, há que precipitar sobre cabeças e florestas, há que sustentar barcos, envolver peixes, há que dar brilho ao olho de quem perde no mar o olhar. Retirar do olhar a constância e ensinar desapego.” Matheus Martini